quarta-feira, 15 de março de 2017

Para ler e pensar bastante!!!

Fechado para balanço!



Por Alessandra Leles Rocha



TV Digital. Freezer. Máquina de Lavar. Secadora. Cooktop. Wi-Fi. Scanner. Laser. Acelerador Nuclear de Partículas. Ressonância Magnética... e outros tantos elementos que fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas ao redor do mundo. Resultados de uma nova ordem de tecnologia e progresso, a qual se denominou Revolução Industrial, que chegou há aproximadamente quatrocentos anos, no contexto de uma promessa de mais tempo, eficiência, produtividade e melhor qualidade de vida. E para muitos o discurso é mesmo esse; uma rendição quase inconsciente aos apelos de um mundo que brilha e gira literalmente à velocidade da luz.
No entanto, longe de querer azedar a boa fé dessas pessoas, a realidade que nos impõe o século XXI, em meio aos discursos populistas, as milhares de propagandas enganosas bradadas aos quatro cantos e recheadas de soluções rápidas para problemas altamente complexos, os impactos da economia, nos faz viajar de volta ao passado e enxergar com outros olhos essa tal Revolução.
Lá na segunda metade do século XVIII, quando se iniciou a transição dos métodos de produção artesanal para as máquinas movidas a vapor, que o mundo selou seu futuro. A riqueza oriunda do mercantilismo de séculos anteriores fomentou a ousadia desse processo e fez surgir às bases da Economia Capitalista Moderna e, consequentemente, a Divisão Social do Trabalho, ou seja, as atribuições produtivas nas estruturas socioeconômicas, de modo que cada indivíduo (ou grupos de indivíduos) possui uma função na hierarquia social, da qual advém a sua importância (ou status) perante a sociedade. 
No entanto, a organização do trabalho nas sociedades urbanas industriais embora tenha estabelecido normas, tais como o tempo de jornada e a remuneração de acordo com a tarefa realizada, não conseguiu romper definitivamente com as sombras seculares da escravização. A indignidade que sempre tomou conta das relações de trabalho escravo permaneceu obscura nas entrelinhas dos discursos sociais, de tal modo que ao longo desses quase quatro séculos a distribuição da riqueza, entre os que produzem e os que detêm os meios de produção, tornou-se mais e mais abissal 1.
Inebriados pela farta oferta de bens e serviços a humanidade acelerou o seu ritmo de vida e de trabalho, mesmo que hoje existam leis específicas no ordenamento dos direitos e deveres laborais. E por mais que se agitem nesse ritmo frenético de busca pela ascensão e dignidade sociais, os trabalhadores se frustram diante dos ínfimos resultados conquistados.
Afinal de contas, o mundo que conheceu o advento da Revolução Industrial cresceu muito em termos de contingente populacional; portanto, a grande oferta de mão de obra impacta diretamente nos salários e na possibilidade de incremento de mais benefícios (plano de saúde, creche, auxílio alimentação etc.). Quanto mais pessoas disputando uma vaga, menor será o valor do salário pago para aquela função; sem contar, na diferença existente entre a remuneração de homens e mulheres, na qual eles ganham mais do que elas.  
Além disso, reflexo da própria industrialização, a mecanização dos meios de produção oferece a possibilidade de substituição da mão de obra convencional humana pelas máquinas. Todos os encargos trabalhistas que incidem sobre o trabalhador passam a inexistir quando a máquina assume a produção. O investimento muitas vezes é alto para adquiri-la; mas, sem ter que arcar com os encargos e a alta rentabilidade da produção, os donos dos meios de produção nem cogitam outra possibilidade.
É por isso que, de certa forma, o envelhecimento populacional, não interfere diretamente na sobrevivência da cadeia de produção; pois muitas empresas, quando aposentam seus funcionários mais antigos ou substituem por funcionários com menores salários ou buscam a mecanização. Não é à toa que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou esse ano que a taxa de desemprego no mundo será de 5,8%, o que significa 3,4 milhões de novos desempregados, os quais o Brasil responderá por 35% deles 2.
Como é possível perceber, enquanto a população mundial se deixava encantar pelos feitos “incríveis” da industrialização, ela própria, na condição de trabalhador assalariado, era espoliada nos seus direitos e conquistas. A economia do mundo nunca se preocupou de fato com a qualidade de vida das pessoas, porque com máquinas e mão de obra convencional humana em franca disponibilidade seria fácil substituir.
É por isso que as discussões ao redor do planeta sobre os direitos trabalhistas e previdenciários do cidadão são sempre motivo de embates difíceis, porque o trabalhador no contexto da industrialização sempre esteve na posição de peça dentro do processo. Ele só passou a fazer parte de tudo isso porque outros tomaram decisões que instituíram esses meios de produção; portanto, ele nunca esteve na condição de ditar regras. Mesmo com a criação de Sindicatos e entidades ligadas aos direitos trabalhistas, eles pouco influenciam nas decisões finais. São quase sempre conquistas insignificantes, parceladas a perder de vista, aquém das demandas sociais impostas pela própria economia, traduzidas em salários incapazes de cumprir com a dignificação do cidadão.
O que se vive hoje no Brasil, por exemplo, em relação às questões previdenciárias é o somatório de acumulativas gestões imprevidentes, as quais somos de certo modo responsáveis por existir, com a redução do número de trabalhadores contribuindo. O gargalo gerado por essa deficiência crônica leva ao infeliz quadro de em muito pouco tempo não se poder arcar nem com os benefícios já adquiridos nem com os que virão a ser concedidos. Como consequência desse caos, as relações de trabalho precisam, então, ser repensadas imediatamente. Porque com os encargos trabalhistas mais elevados em um grupo de 25 países analisados, o que representa em média 57,56% do valor bruto do salário em tributos, enquanto a média global é 22,52% 3, o Brasil não só fomenta o desemprego como influencia o surgimento do trabalho informal, o qual além de não resguardar os direitos do trabalhador não contribui com a Previdência Social.
Desse modo, podemos dizer que milhares de desdobramentos não pensados a luz do surgimento da Revolução Industrial, agora, nos assombram dia e noite. O que chegou à revelia de nossa vontade, também nos impõe a obrigação de pensar e encontrar um modo menos indigesto de lidar com os resultados, a começar pela disposição em aceitar que as relações de trabalho precisam se adequar as conjunturas do mundo contemporâneo; sobretudo, por conta do elevado número de desempregados. Nesse contexto é importante considerar também a população jovem que ingressa todos os anos no mercado de trabalho. Em 2016, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou que o índice mundial de desempregados jovens, entre 15 e 24 anos, seria de 13,1%, ou seja, um aumento de meio milhão de pessoas, em relação ao ano anterior 4.
Como se vê, a situação a enfrentar é tão complexa quanto trocar um pneu com o carro em movimento. Estamos falando de seres humanos, de dignidade, de sobrevivência, de sonhos, de esperanças; por isso, precisamos compreender sobre o que se trata esse momento e porque chegamos até ele.  Durante séculos, foi disseminado em nosso inconsciente coletivo um discurso sobre as alegrias do consumo, da industrialização, do progresso, para nos motivar a seguir as cegas em busca desse “Eldorado de Bonança e Fartura”; uma nova roupagem do velho discurso Absolutista do “pão e circo”.
Agora chegamos ao limite; pois, tudo na vida tem um limite. Toda grande empreitada pede ajustes, pede planejamento, pede controle. Chegou a hora. Temos que nos reinventar, nos redescobrir em nome da nossa sobrevivência nesse mundo cada vez mais industrializado e tecnológico. E garanto a você, leitor (a), que não será partindo do quebra-quebra, das frases de efeito, dos discursos rotos e remendados que mesmo quando estavam inteiros já não surtiram efeito algum. Se for para buscar no primitivismo que seja como foi na criação da roda, do fogo, das vestimentas de pele de animais; algo inventivo, inteligente, criativo e verdadeiramente capaz de acenar com resultados profícuos. Mesmo assim, talvez a única certeza que possamos ter é a seguinte: perdas irão sempre existir, pois a vida é feita de escolhas, de caminhos e para ganhar há de se perder alguma coisa. Ninguém tem tudo o que deseja.  




1 Os 8 bilionários que têm juntos mais dinheiro que a metade mais pobre do mundo - http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38635398


2 Brasil responderá por 35% dos novos desempregados do mundo em 2017 - https://nacoesunidas.org/brasil-respondera-por-35-dos-novos-desempregados-do-mundo-em-2017/

segunda-feira, 13 de março de 2017

Para começar bem a semana...

Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável

Preâmbulo
Esta Agenda é um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. Reconhecemos que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.
Todos os países e todas as partes interessadas, atuando em parceria colaborativa, implementarão este plano. Estamos decididos a libertar a raça humana da tirania da pobreza e da penúria e a curar e proteger o nosso planeta. Estamos determinados a tomar as medidas ousadas e transformadoras que são urgentemente necessárias para direcionar o mundo para um caminho sustentável e resiliente. Ao embarcarmos nesta jornada coletiva, comprometemo-nos que ninguém seja deixado para trás.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas que estamos anunciando hoje demonstram a escala e a ambição desta nova Agenda universal. Eles se constroem sobre o legado dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e concluirão o que estes não conseguiram alcançar. Eles buscam concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas. Eles são integrados e indivisíveis, e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.
Os Objetivos e metas estimularão a ação para os próximos 15 anos em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta:
Pessoas
Estamos determinados a acabar com a pobreza e a fome, em todas as suas formas e dimensões, e garantir que todos os seres humanos possam realizar o seu potencial em dignidade e igualdade, em um ambiente saudável.
Planeta
Estamos determinados a proteger o planeta da degradação, sobretudo por meio do consumo e da produção sustentáveis, da gestão sustentável dos seus recursos naturais e tomando medidas urgentes sobre a mudança climática, para que ele possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras.
Prosperidade
Estamos determinados a assegurar que todos os seres humanos possam desfrutar de uma vida próspera e de plena realização pessoal, e que o progresso econômico, social e tecnológico ocorra em harmonia com a natureza.
Paz
Estamos determinados a promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas que estão livres do medo e da violência. Não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável.
Parceria
Estamos determinados a mobilizar os meios necessários para implementar esta Agenda por meio de uma Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável revitalizada, com base num espírito de solidariedade global reforçada, concentrada em especial nas necessidades dos mais pobres e mais vulneráveis e com a participação de todos os países, todas as partes interessadas e todas as pessoas.
Os vínculos e a natureza integrada dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são de importância crucial para assegurar que o propósito da nova Agenda seja realizado. Se realizarmos as nossas ambições em toda a extensão da Agenda, a vida de todos será profundamente melhorada e nosso mundo será transformado para melhor.

Mundo vive maior crise humanitária desde 1945, diz ONU

Mundo vive maior crise humanitária desde 1945, alerta ONU

A ONU avisou que 20 milhões de pessoas já estão na situação crítica de fome ou correm risco de entrar nela nos próximos seis meses

Reformas legislativas têm levado a retrocessos nos direitos das mulheres, alerta ONU

Reformas na legislação de diversos países, como Rússia, Bangladesh e Burundi, têm gerado retrocessos nos direitos das mulheres. A avaliação é do alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, que criticou restrições às liberdades individuais do público feminino. Dirigente elogiou mobilizações como a Marcha das Mulheres, de janeiro desse ano, e o movimento ‘Ni Una Menos’.
Saiba mais em 

Feminicídio subiu 75% nas regiões Norte e Nordeste entre 2003 e 2013, revela Banco Mundial

As regiões Norte e Nordeste do Brasil tiveram um aumento de mais de 75% na taxa de feminicídio no período de 2003 a 2013, segundo relatório divulgado na quarta-feira (8) pelo Banco Mundial.
O levantamento, publicado na ocasião do Dia Internacional das Mulheres, alertou para a marginalização persistente de mulheres afrodescendentes e indígenas no país.
As regiões Norte e Nordeste do Brasil tiveram um aumento de mais de 75% na taxa de feminicídio no período de 2003 a 2013, segundo relatório divulgado na quarta-feira (8) pelo Banco Mundial.
Na região Norte, o índice passou de 3,5 para 6,1 assassinatos a cada 100 mil mulheres. No Nordeste, saiu de 3,2 para 5,6 assassinatos, enquanto a média nacional de 2013 era de 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres. A região mais violenta para a população feminina continua sendo o Centro-Oeste (7,0).
O levantamento, publicado na ocasião do Dia Internacional das Mulheres, alertou para a marginalização persistente de mulheres afrodescendentes e indígenas no país.
No Nordeste, a taxa de feminicídio contra negras e pardas aumentou mais de 103% no período avaliado, chegando a 5,8 em 2013. Entre mulheres brancas vivendo na região, o índice é de 2,3, bem abaixo da média nordestina e maior que o dobro do verificado entre as afrodescendentes.
No Centro-Oeste, o padrão é semelhante. Entre a população feminina negra, o número estimado é de 8,2, frente a uma taxa de 4,0 entre as brancas.
Apenas o Sudeste registrou uma queda nos assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero. Em 2003, o índice era de 5,4. Dez anos depois, chegou a 3,8 — valor que representa um decréscimo de quase 30%. [...]

Brasil tem maior número de casamentos infantis da América Latina e o 4º mais alto do mundo


No Brasil, 3 milhões de jovens de 20 a 24 anos tiveram o matrimônio formalizado antes da maioridade. O número — que é o maior da América Latina e o 4º mais alto do mundo em valores absolutos — representa 36% do total de mulheres dessa faixa etária casadas. No mundo, anualmente, 15 milhões de meninas se casam antes de completar 18 anos. Casamento infantil é tema de relatório divulgado na quinta-feira (9) pelo Banco Mundial, UNFPA e ONU Mulheres.

A cada ano, 15 milhões de meninas em todo o mundo se casam antes de completar 18 anos. Atualmente, mais de 700 milhões de mulheres casadas firmaram a relação de matrimônio antes de chegar a essa idade. Os números são de um novo relatório do Banco Mundial, que apresentou o documento na quinta-feira (9), em Brasília, em parceria com a ONU Mulheres e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
No Brasil, 3 milhões de jovens de 20 a 24 anos tiveram o matrimônio formalizado antes da maioridade. O número — que é o maior da América Latina e o 4º mais alto do mundo em valores absolutos — representa 36% do total de mulheres dessa faixa etária casadas.
Os dados sobre a conjuntura brasileira foram estimados pela Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, do Ministério da Saúde, em 2006, e contextualizados globalmente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela organização não governamental Promundo.
“As meninas que se casam antes dos 18 anos têm mais chances de se tornarem vítimas de violência doméstica e estupro marital (dentro do casamento)”, explica Paula Tavares, autora do estudo e especialista em Desenvolvimento do Setor Privado do Banco Mundial. Até o fim da próxima década, se nada for feito, outras 142 milhões de meninas terão se casado em diferentes partes do planeta.
A especialista acrescentou que 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é direcionado a gastos diretos e indiretos com a violência doméstica.
Além de uma maior exposição à agressões dentro de casa, essa população também está sujeita a menores índices de escolaridade, maior incidência de gravidez na adolescência, maiores taxas de mortalidade materno-infantil e pobreza.
Segundo Paula, o casamento infantil no Brasil atingiu as proporções atuais em parte porque a lei permite que meninas se casem a partir dos 16 anos de idade, desde que haja o consentimento parental.
“O país também não prevê punição para quem permite que uma menina se case em contravenção à lei ou para os maridos nesses casos”, ressalta a especialista. “Hoje, a medida só existe em sete países da América do Sul: Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.”
Para o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, “quando a sociedade permite essa prática, aceita a violação dos direitos humanos dessas meninas e o comprometimento do seu futuro”. Segundo o dirigente, meninas devidamente escolarizadas, que têm sua saúde preservada e seus direitos respeitados, conseguem até triplicar sua renda e produtividade ao longo da vida, contribuindo de forma mais expressiva para o desenvolvimento de seus países.
“O casamento precoce priva as meninas e adolescentes de terem um desenvolvimento físico e psicológico saudável. Por isso, é também um fator de perpetuação da pobreza”, ressaltou o diretor do Banco Mundial no Brasil, Martin Raiser, durante o lançamento do relatório.
De acordo com a representante da ONU Mulheres, Nadine Gasman, “o casamento infantil é um dos obstáculos para que o mundo possa alcançar a igualdade de gênero, como propõe a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas”.

Estupro dentro do casamento

O casamento infantil também abre espaço para outro grave tipo de violência: o estupro dentro do matrimônio. “Apesar de o estupro ser internacionalmente reconhecido como um crime, os códigos penais ainda têm enfoques diversos quando se trata de marido e mulher”, afirma Paula sobre as legislações de diferentes partes do mundo.
“Em 2013, a Argentina viu um homem ser inocentado por abuso sexual porque o tribunal levou em conta o histórico conjugal do casal e o fato de que culturalmente se espera que as esposas tenham relação com seus maridos”, lembrou.
Apesar dos desafios, a América Latina tem um motivo para comemorar: é a região do mundo com o maior número de países com legislações avançadas na questão do estupro dentro do casamento. Países como Brasil — que promulgou a Lei Maria da Penha em 2010 —, Argentina, Bolívia e Equador revisaram seus códigos penais para considerar esse tipo de violência sexual como uma violação.
Paula ressaltou que foi somente após a criação da Lei Maria da Penha que o Código Penal brasileiro foi revisto e passou a mencionar o estupro como um crime contra a dignidade sexual e a liberdade sexual da mulher. Na América Latina e no Caribe, metade dos países não adotaram leis específicas contra o estupro entre cônjuges.
Acesse o relatório na íntegra clicando aqui.

UNESCO recebe inscrições para premiação sobre educação de mulheres e meninas

Até 5 de maio, Estados-membros e instituições não governamentais parceiras da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) podem enviar inscrições à equipe do Prêmio para a Educação de Mulheres e Meninas. A iniciativa da agência da ONU reconhecerá dois projetos inovadores de indivíduos e organismos que levam ensino de qualidade para o público feminino. Premiados receberão 50 mil dólares.

Pense a respeito!!!

VÍDEO: Uma história. Duas vidas. 70 anos de diferença


Estereótipos de gênero sobrecarregam mães e desvalorizam pais, diz Anne Hathaway

Em sua primeira aparição oficial como embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, a atriz Anne Hathaway convocou países e empresas na quarta-feira (8) — Dia Internacional das Mulheres — a implementar políticas de licença trabalhista remunerada tanto para mães quanto para pais de crianças recém-nascidas.
Para a artista, políticas no local de trabalho não devem perpetuar desigualdades e estereótipos de gênero.

Pesticidas matam 200 mil pessoas por intoxicação aguda todo ano, alertam especialistas

Cerca de 90% das mortes ocorreram em países em desenvolvimento, onde as regulamentações de saúde, de segurança e de proteção ao meio ambiente são frágeis. Dois especialistas em direitos humanos da ONU pediram novo tratado global para regulamentar e eliminar gradualmente o uso de pesticidas perigosos na agricultura e avançar em práticas agrícolas sustentáveis.
Dois especialistas em direitos humanos da ONU pediram nessa semana (7) um novo tratado global para regulamentar e eliminar gradualmente o uso de pesticidas perigosos na agricultura e avançar em práticas agrícolas sustentáveis.
De acordo com a relatora especial da ONU sobre o direito à alimentação, Hilal Elver, e o especialista das Nações Unidas para os direitos humanos e substâncias e resíduos perigosos, Baskut Tuncak, os pesticidas são responsáveis por 200 mil mortes por intoxicação aguda a cada ano.
Eles apontaram que cerca de 90% das mortes ocorreram em países em desenvolvimento – onde as regulamentações de saúde, de segurança e de proteção ao meio ambiente são frágeis.
“O uso excessivo de pesticidas é muito perigoso para a saúde humana e para o meio ambiente, e é enganoso afirmar que eles são vitais para garantir a segurança alimentar”, afirmaram os relatores em declaração conjunta.
Eles destacaram que a exposição crônica aos pesticidas tem sido associada ao câncer, ao Alzheimer e Parkinson, bem como a distúrbios hormonais e de desenvolvimento e esterilidade.
Agricultores e trabalhadores agrícolas, comunidades que vivem próximas a plantações, comunidades indígenas e mulheres grávidas e crianças são particularmente vulneráveis à exposição a pesticidas e requerem proteções especiais.
Os especialistas enfatizaram ainda a obrigação dos governos de proteger os direitos das crianças contra substâncias perigosas, alertando também que certos pesticidas podem persistir no ambiente por décadas e apresentar uma ameaça para todo o ecossistema, do qual depende a produção de alimentos.
Embora reconhecendo que certos tratados internacionais atualmente ofereçam proteção contra o uso de alguns pesticidas, eles enfatizaram que ainda não existe um tratado global para regular a grande maioria deles, deixando uma lacuna crítica no quadro de proteção de direitos humanos.
“Sem uma regulamentação harmonizada e rigorosa sobre a produção, venda e níveis aceitáveis de uso de pesticidas, a carga dos efeitos negativos dos pesticidas é sentida pelas comunidades pobres e vulneráveis em países que têm mecanismos de aplicação menos rigorosos”, enfatizaram os relatores da ONU.

Relatora da ONU recomenda medidas para combater adoção ilegal de crianças no mundo

A relatora especial da ONU recomendou que os Estados promovam investigações judiciais dirigidas às redes criminosas envolvidas no comércio ilegal de crianças; invistam nos sistemas de proteção de crianças; e criem mecanismos de supervisão eficazes para prevenir, detectar e denunciar o crime.
“É vital que o país de origem da criança e o Estado receptor reconheçam e abordem eficazmente os problemas sistêmicos envolvidos”, frisou a relatora Maud de Boer-Buquicchio.
A relatora especial da ONU sobre comércio de crianças, Maud de Boer-Buquicchio, recomendou na terça-feira (7) novas medidas de combate às adoções ilegais no mundo, incluindo propostas para enfrentar os sistemas em que tais práticas ocorrem.
Boer-Buquicchio criticou os governos em todo o mundo pela falta de respostas estatais adequadas aos direitos das vítimas de adoções ilegais. Ela também citou uma variedade de atos e práticas ilegais que resultam em adoções ilícitas e seus impactos nos direitos das crianças.
“Não existe direito de adotar ou de ser adotado. As adoções ilegais constituem violações aos direitos das crianças, desde a privação arbitrária da identidade até à exploração através da venda”, destacou.
“Um fator importante por trás das adoções ilegais é o ganho financeiro que pode ser obtido com a aquisição de crianças para adoção, em especial para a adoção internacional”, disse.
Ela afirmou que enquanto os processos de adoção não forem transparentes e as doações aos países de origem estiverem vinculadas à disponibilização de crianças para adoção, os incentivos para adoções ilegais continuarão existindo.
“A adoção, particularmente na sua forma multinacional, é atualmente a única medida com um objetivo de proteção da criança que exige o desembolso de fundos por aqueles que devem fornecer essa proteção. Como resultado, a adoção passou de uma prática centrada na criança para uma que está subordinada aos desejos e necessidades dos futuros pais adotivos”, disse a relatora.
“Isso criou um terreno fértil para a aquisição e venda de crianças, juntamente com outros crimes que dão origem a adoções ilegais”, acrescentou.
Entre as recomendações feitas por Boer-Buquicchio estão: promover investigações e ações judiciais dirigidas às redes criminosas envolvidas no comércio ilegal de crianças; fornecer mais investimentos para os sistemas de proteção de crianças; criar mecanismos de supervisão eficazes para prevenir, detectar e denunciar o crime etc.
“É vital que o país de origem da criança e o Estado receptor reconheçam e abordem eficazmente os problemas sistêmicos envolvidos”, frisou.
O relatório da especialista também examina investigações acerca de vítimas de adoções ilegais em busca de verdade sobre suas origens, responsabilidade, reparações por meio de reformas legislativas, políticas e institucionais.
“Os Estados devem reconhecer sua responsabilidade em relação às adoções ilegais, antecipando estratégias e adotando medidas abrangentes de reparação às vítimas. Devem também facilitar o acesso aos registos de adoção e aos serviços de rastreio, e ainda apoiar o reagrupamento de famílias que foram separadas por adoção forçada ou ilegal.”
“É preciso que todas as partes interessadas coloquem os melhores interesses da criança no centro das adoções”, advertiu.

Barulhista faz show de lançamento do álbum "Desfiado" no Teatro Marília

Barulhista faz show de lançamento do álbum “Desfiado” em Belo Horizonte

O artista mineiro Barulhista, além de atuar com trilhas para obras teatrais, traz um trabalho que parte da construção das músicas a partir das técnicas do remix e do sampler, reunindo camadas de cacos sonoros que ele recolhe de fontes diversas. O resultado é um interessante amálgama entre os instrumentos analógicos e equipamentos eletrônicos. A partir desta receita Barulhista produziu e lançou 13 álbuns e recebeu a atenção de grandes nomes da música mundial, como Martin Atkins (Sex Pistols) que o apontou com um dos mais interessantes músicos brasileiros contemporâneos.  A mais recente empreitada do Barulhista é o disco Desfiado, álbum publicado nas plataformas digitais em 2016 e que terá seu show de lançamento no Teatro Marília (Av. Alfredo Balena, nº 586, Santa Efigênia), no dia 24 de março, às 21h. Os ingressos custam : R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

Sobre o disco  DESFIADO
Desfiado é um disco que começa pela capa. A fotografia em preto e branco de um homem maduro e seu rosto coberto pela barba. Pelos escuros e claros que lentamente perdem em um emaranhado sem fim. Uma perfeita representação do som experimental e essencialmente complexo que Barulhista busca desenvolver em cada uma das dez faixas que marcam este novo trabalho.
Um álbum que conta uma história sobre o movimento do tempo.
Lançado em 10 países pelo selo Fluxxx, Desfiado é uma obra de movimentos contidos, porém, sempre precisos. Preguiçosos sintetizadores climáticos se espalham ao fundo de cada composição. Ruídos eletrônicos, captações urbanas e batidas tortas. Pouco mais de 60 minutos em que Barulhista se concentra na produção de diferentes paisagens sonoras, sempre detalhistas, acolhedoras. Ambientações oníricas e bases dançantes, que fazendo valer a frase “música para dançar sentado” que Barulhista usa para apresentar a própria obra.
Este novo trabalho foi lançando em 2016 e já figura em várias listas da crítica especializada como Srcream & Yell, Genius Brasil, Tenho Mais Discos Que Amigos, Embrulhador, como um dos melhores discos instrumentais de 2016. Esta indicado ao prêmio da música brasileira 2016 na categoria música instrumental.

Barulhista: entre recortes e samplers
Além do álbum Desfiado, Barulhista traz na bagagem outros 12 discos,tendo uma das discografias mais longas entre os músicos da sua geração,  os discos produzidos e lançados por ele até então são: Grushenka, Hymmos, Café Branco, Seegue, Trincaargentina, Mute ou quando Cassia abre os livros, Cedinho, Possibilitismo, No Envy, O Fascínio da Cadeira, Ferramentas e  Comecei a ser. 
Quanto ao nome “Barulhista, é uma palavra “inventada” para acabar com a procura de um nome para o que sou/faço: trilha sonora / escrita / conversa / concertos – tudo com base em experiências cotidianas”, diz.  É assim que este aclamado artista mineiro, dedicado a criar performances musicais-audiovisuais, se apresenta. Premiado pelo trabalho em diversas trilhas sonoras para cinema, teatro e dança, Barulhista mantém parcerias com artistas como André Abujamra, Chico de Paula, Reallejo,  Sérgio Pererê, Matéria Prima, entre outros. Possui 13 álbuns lançados em mais de 10 países tendo vários deles figurando em diversas listas de melhores do ano.

Serviço: SHOW DE LANÇAMENTO DO DISCO DESFIADO DE BARULHISTA
Dia: 24 de março de 2017
Horário: 21:00 
Local: Teatro Marília
Ingressos: 20,00 inteira e 10,00 meia

Fonte: Rogério Dias – Aclive Comunicação e Projetos

Museu Correios recebe mostra de xilogravuras

Dois eixos cruzando-se em ângulo reto, madeira e goiva, elementos simples que desencadeiam um imaginário, rico e complexo na mostra “Brasília Cidade (In)visível” que estreia na próxima quinta-feira, 9 de março, no Museu Correios.
O traçado arrojado de Lúcio Costa, o verde pujante de Burle Marx e as curvas de concreto de Oscar Niemeyer já renderia infinitas possibilidades no talhar da madeira, mas o artista visual Valdério Costa valoriza ainda a singularidade do povo acolhido pela capital federal.
Na xilogravura o pedaço de madeira é lixado, os sulcos cavados a mão para produzir o desenho em alto relevo que depois de receber a tinta é impresso em papel, uma sequência de atividades que exige muita habilidade do artista já que a imagem precisa ser gravada ao contrário. A técnica é muito usada no nordeste do país para ilustrar a famosa literatura de cordel, mas a influência da região no trabalho de Costa vai além, os migrantes nordestinos são lembrados nas cenas retratadas por ele em meio ao universo histórico e arquitetônico da cidade.
Na abertura haverá uma visita guiada com o artista. A mostra contará ainda com uma oficina de xilogravura e gravura com materiais alternativos para estudantes.

Sobre o Artista
Valdério Costa é graduado em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília. Professor de Artes Visuais e História da Arte da Secretaria de Educação do DF. Poeta e artista plástico cadastrado pela Secretaria de Cultura do DF. Atua como docente em escolas públicas e privadas ministrando oficinas práticas e teóricas sobre a técnica da xilogravura.

Serviço:
Exposição Brasília Cidade (In)visível
Abertura com visita guiada - 9 de março de 2017, às 19 h.
Visitação: De 10 de março à 30 de abril de 2017.
Local: Museu Correios - SCS quadra 4, bloco A, 256, ed. Apolo - Asa Sul, Brasília - DF, 70304-915.
Horário: terça a sexta, das 10 às 19h. Sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h.
Informações: (61) 21419276
Classificação etária: Livre para todos os públicos.
Entrada franca

Fonte: Marta Ribeiro de Souza / ANALISTA DE CORREIOS JR - JORNALISTA 

terça-feira, 7 de março de 2017

ODS # 05 - Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas

Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas

5.1 Acabar com todas as formas de discriminação contra todas as mulheres e meninas em toda parte
5.2 Eliminar todas as formas de violência contra todas as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e exploração sexual e de outros tipos
5.3 Eliminar todas as práticas nocivas, como os casamentos prematuros, forçados e de crianças e mutilações genitais femininas
5.4 Reconhecer e valorizar o trabalho de assistência e doméstico não remunerado, por meio da disponibilização de serviços públicos, infraestrutura e políticas de proteção social, bem como a promoção da responsabilidade compartilhada dentro do lar e da família, conforme os contextos nacionais
5.5 Garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública
5.6 Assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos, como acordado em conformidade com o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento e com a Plataforma de Ação de Pequim e os documentos resultantes de suas conferências de revisão
5.a Realizar reformas para dar às mulheres direitos iguais aos recursos econômicos, bem como o acesso a propriedade e controle sobre a terra e outras formas de propriedade, serviços financeiros, herança e os recursos naturais, de acordo com as leis nacionais
5.b Aumentar o uso de tecnologias de base, em particular as tecnologias de informação e comunicação, para promover o empoderamento das mulheres
5.c Adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis

sábado, 4 de março de 2017

"O que é uma mulher? Eu lhes asseguro, eu não sei. Não acredito que vocês saibam. Não acredito que alguém possa saber até que ela tenha se expressado em todas as artes e profissões abertas à habilidade humana". Virginia Woolf

Elas...


Por Alessandra Leles Rocha



Mais de 7,2 milhões de pessoas no mundo. São graças ao esforço e ao trabalho delas que o progresso e o desenvolvimento têm alcançado os patamares inimagináveis, quando nos colocamos a pensar sobre o grande passo dado pela Revolução Industrial, no início do século XVIII. Bom, mas quando falamos sobre essas pessoas, não podemos em hipótese alguma nos esquecer de que estamos falando sobre a espécie humana composta por homens e por mulheres.
Sendo assim, quero propor a você, leitor (a), que feche os olhos por alguns segundos e tente imaginar o século XXI, tendo chegado amparado apenas pelo esforço e o trabalho de um dos grupos humanos – homens ou mulheres. Então, eu lhes pergunto, será que teríamos conseguido alçar voos tão altos, tão impensados, tão grandiosos?
Esta é uma reflexão profunda e impactante, que nos dá a dimensão exata da importância de cada ser humano para o planeta. Mas, se você ainda não consegue assimilar tudo isso de uma forma satisfatória; então, eu proponho que pense no que acontece quando há uma greve de algum segmento social, por exemplo, dos serviços de saúde ou de segurança, em sua cidade. É um transtorno para população, não é mesmo? Essa situação demonstra facilmente como a ausência de um determinado grupo de pessoas na sociedade afeta diretamente o equilíbrio e a harmonia populacional. De repente, nos damos conta do quão importante esses indivíduos são; embora, possamos nem conhecê-los de fato.
É por isso que, em pleno Terceiro Milênio, a reafirmação da desigualdade entre os seres humanos parece totalmente absurda. Sei que algumas pessoas podem tentar justificar a desigualdade entre homens e mulheres a partir de fundamentações ideológicas antropológicas e históricas; inclusive, com argumentos religiosos. No entanto, será que a repetição irrefletida dessas ideias sustenta verdadeiramente a manutenção dessa desigualdade? Será mesmo que as mulheres são a representação única e plena de todos os males do mundo? Serão elas tão frágeis e incapazes para serem consideradas no seio social?
Ora, enquanto lhes atiramos pedras, lançamos seus corpos e almas às fogueiras inquisidoras, se não fossem elas a raça humana já teria sido extinta há muitos milênios; pois, a manutenção da espécie depende delas. Nem mesmo a biotecnologia, os avanços da fertilização in vitro, a evolução da genética, nada exime o papel da mulher como guardiã da vida. Percebem como soa desproposital todas as desconsiderações e estigmas, que arbitrariamente lhes impingimos? Sem esses milhões de vida providos por elas, também, não haveria desenvolvimento ou progresso, concordam? Gostem ou não, está nas mãos delas o poder de todos os poderes.   
Mas, no desconforto que essas reflexões costumam trazer entre muitos viventes, verdade seja dita, homens e mulheres serão sempre seres humanos, mas jamais iguais; o que não é nenhuma novidade, na medida em que nenhum individuo é igual ao outro. Agora, porque eventuais diferenças possam ser consideradas razão para formalizar uma hierarquia de mais ou menos capazes, melhores ou piores intelectualmente,... é que precisamos superar.  O mesmo ser humano que já chegou à Lua, que usa e abusa da Tecnologia da Informação,... não pode, em hipótese alguma, continuar reverenciando tamanhas ignorâncias éticas e morais.
Vejamos que, no momento de receber e usufruir todos os benefícios, inclusive materiais, advindos do esforço e do trabalho das mulheres, a sociedade não os considera dispensáveis ou menos importantes. Verdade! Você já viu, por exemplo, alguma diferença na alíquota de imposto de renda entre homens e mulheres? No entanto, no que dizem respeito aos salários, eles e elas recebem valores bem diferentes, no exercício das mesmas funções. Aliás, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em dezembro de 2016, o crescimento da desigualdade salarial entre homens e mulheres cresceu entre as mais diversas atividades remuneradas 1.
Dentro desse contexto, a reafirmação da desigualdade não impacta somente a economia, no que diz respeito ao poder de compra, a arrecadação de impostos que consome grande parte desses baixos salários, ao suprimento das demandas de sobrevivência humana (em diversos países, incluindo o Brasil, as mulheres apesar desse desequilíbrio econômico representam um número expressivo de provedoras do lar); mas, interfere diretamente nas relações sociais, a partir do acirramento ideológico da superioridade masculina, que fomenta em grande parte os índices de violência, incluindo o feminicídio.   
A sociedade que aceita a subvalorização feminina está, de certa forma, referendando o ranqueamento da sua população, entre indivíduos mais ou menos importantes. O que essa mesma sociedade faz, na verdade, é demonstrar uma total incapacidade de cuidar, de proteger, de dignificar seus cidadãos de forma igualitária; para, depois, assistir diariamente o extermínio e a violência, principalmente, contra as mulheres; sem ao menos se dar conta, do grave prejuízo que isso representa no contexto da população economicamente ativa de seu país.
É preciso entender que o empenho, ao longo de séculos, em torno da discussão e da formulação de reinvindicações igualitárias, por parte das mulheres, não é uma simples questão de disputa de influência e poder, muito menos, de revanchismo feminista; trata-se apenas de uma necessidade fundamental de sobrevivência justa e equilibrada para todos. As relações econômicas e sociais, oriundas do processo de industrialização, nos impingem cada vez mais a necessidade de trabalharmos conjuntamente, homens e mulheres, em favor da mitigação dos inúmeros problemas sociais que afligem a população mundial.
A pauta base do século XXI é o ser humano, independente de quem ele seja, o que ele faça, onde ele resida, qual sua história. Respeito e dignidade as mulheres não deve jamais ser tratado como uma obrigação e, muito menos, uma conquista, como se não estivéssemos falando de um direito fundamental a todo indivíduo.   Mesmo enfrentando inúmeras oposições e resistências, sobretudo, nas sociedades urbanas industriais em desenvolvimento ou subdesenvolvidas, as mulheres não abdicam do seu papel e da sua responsabilidade na parte que lhes cabe no progresso de seus países. Portanto, pensemos nisso antes de lhes atribuir olhares rasos e periféricos aos seus corpos, ao invés de enxergar-lhes a grandeza e a fortaleza que reside em suas almas; mesmo, quando elas próprias, por diversas razões, não conseguem enxergar-se além da superfície.